segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A Estrela mais Triste

A estrela mais triste
Deixou rolar pelo infinito a fora
Sua lágrima de dor.
Sofreu sozinha
A agonia palpitante e imensa,
O soluço inviolável.
Todas as suas irmãs souberam
Que o bem amado deixara a bem amada.

A estrela mais triste
Chorou na noite escura e fria
(menos fria que seu brilho pálido)
Sofreu o desalento e a angústia,
O reflexo de um coração magoado.
Todas as suas irmãs disseram:
O bem amado deixou a bem amada.

A estrela mais triste,
Não pode morrer, quando sua alma em desespero,
Perdeu-se na noite sofredora
(a lua mais cheia não soube encontrá-la)
Nem o seu brilho se apagou,
Ele se tornou apenas frio,
Como o coração da amada
Que o bem amado abandonou.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Caiam estrelas


Vou colorir o tédio de tua ausência
Para sentir que há vida
Sobre as águas mortas.

Os sonhos se perderam na noite
Como balões acesos
E macularam de sangue
A virgindade negra.

A noite chorou sobre as folhas
O orvalho do céu sem lua.

Deixa que caiam estrelas.
Quero sepultar entre elas
O tédio de tua ausência.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Noturno

São soluços de almas que ouço,
são gemidos de entes humanos?
De onde vem essa voz dolorosa
que povoa minha alma de trevas?

Vem de longe, de mundos ocultos,
chegará de infernos ardentes?
Quem me manda este coro de ais,
que ecoa profundo em meu ser?

Reconheço essa voz... é do irmão?
Ou será de amigos ausentes?...
Não, ela parte de dentro da alma
vem do peito sangrando de dor.

Já a ouço tão perto, tão perto,
que percebo ser minha essa voz.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Silhuetas


Crescem lírios sob a noite,
Esguias silhuetas de neve
Desenhando formas vivas pelo céu.
Seriam garças beijando sombras,
Ou teus dedos sobre meus cabelos?

Dançam lírios sob a noite,
Chamando o orvalho,
- pessoas leves sobre gotas de cristal –
Seriam aves brancas sobre o lago,
Ou tua mão tocando minhas lágrimas?

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Dança dos Círculos


Enquanto te espero,
os ventos gemem na distância 
e, em loucos rodopios passam,
na dança infinita dos círculos.

E a poeira gira,
giram as folhas,
o solo e o céu.

Enquanto te espero,
o pensamento é dardo,
é círio, é peixe e luz...

E eu me perco e me encontro
nos portos de tua vinda.

Enquanto te espero,
não suporto senão tua lembrança
- rota de saudade, sonho e vida -
e tuas mãos guiando-me ao infinito.

domingo, 30 de outubro de 2016

Canto Jovem

Deixo meus olhos modelando estrelas
e minhas mãos dançando poesia.
Deixo meus passos contando à poeira
a história secreta das magias.

Deixo, e sigo te esperando.

Deixo os cabelos fundirem-se na noite
e serenados por lágrimas brilhantes
serem o dançarino par de leve sombra
o eterno véu do sonho que não veio.

Deixo, e sigo só buscando.

Deixo que o vento toque em minha face
o perfume, o sonho de esperança.
Deixo e sigo aguardando.

Deixo tudo, tudo
e sigo só esperando.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

A Desconhecida


Sou a balairina
que dança em teus sonhos
qu brinca com o vento
junto à tua porta
... e tu não me conheces.

Sou a que veio da infância
a que se prolongou nas eras
e te envolveu de paz.
Sou a que te cantou mil vezes
em seus versos
... e tu não me conheces.

Sou a que chegou com a noite
e se uniu às estrelas
para se dissolver no vinho.

Sou a desconhecida
de todos os caminhos
a que sempre te seguiu.

Sou a que pediu a Deus
a tua redenção
...e tu virás a mim
ó, muito amado.