quinta-feira, 21 de junho de 2018

Poema proibido



- Quem povoou de espera
os germens da aurora?
A cada dia renascem
os sonhos, sufocados na noite.

Quem teceu a esperança
nas portas da distância,
para que se renovem as chegadas?

Nesta noite,
as águas todas são lua,
transparentes aos olhos,
sensíveis ao toque.

A vida desperta cada sonho
e veste de saudade
o perfil de cada sombra.


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Tu...

Todo meu ser,
é um apelo diluído no céu.

Tu, que tens mãos de cristal,
vem com elas sobre meus cabelos
porque inútil é o meu mundo.

Tu que cobriste os olhos dos eternos,
desce com vestes de paz,
sobre o meu corpo,
porque meu sangue não é da terra
mas das entranhas da Tua luz.

Tu que sonhaste no meu sono,
tira o suplício de meus olhos
e me mostra a Tua face
onde ainda há pureza.

A grande jornada



Por onde andei,
nem me lembro...
Sei apenas que trago os pés feridos
e sinto o corpo exausto.

Venho da grande jornada,
onde os sinos não cantam aleluia,
e as almas têm frio e cansaço.
Venho de terras onde o vento ulula,
onde a vida é morte   
e onde a morte é vida.

Por onde andei...
Nem me lembro.
Sei apenas que busquei o bem eterno
nos caminhos mais estranhos,
nos atalhos mais difíceis
e trago as mãos em prece.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Amanhecer

 


Respirando Deus amanheço e canto
Porque Ele deu-me o amanhecer e o cantar
Respirando vida recomeço
Crio e me transformo sempre
Pois a vida Dele me recomeça e anima
Sua criação já é dinâmica transformação
Aconteço Nele
A cada hora mais nele

Respirando Deus profundamente
Mais plenamente me expresso
Inspirando luz limpo e fortaleço
Meu campo
Porque Deus é mais que tudo Luz
Onde inércia e escuridão não penetram

Respirando Deus
Cada vez mais intensamente
Mais profundamente
Quase desesperadamente
Posso vê-Lo a cada dia
Em cada rosto, lugar e pessoa
Porque Ele vive minha vida
Muito mais do que eu!

No seu regente viver
No seu viver contente
Assim eternamente...
Assim vivo eu!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

A Cruz Amor



Tudo é prece, solidão e louvor...
O lusco-fusco embriaga-se de incenso.
A voz que os homens não ouvem
se eleva ao Senhor.

Os corações se unem
e os olhos fitam um só símbolo 
a Cruz Amor, piedade,
que vela pelo mundo,
por esse mundo que passa
indiferente a Ele,
sem compreender a comunhão suprema.

A Cruz em silêncio chora
o abandono dos homens
e em silêncio ampara
os corpos exaustos
que a Ela se entregam.
O mundo se agita,
os homens lutam,
e a Cruz espera,
espera por eles.